O que aconteceu
Os pedidos 71748 e 71753 foram concluídos em 26/09. A própria Just enviou, para cada um, um e-mail de “Pagamento aprovado” e depois outro de “Reserva confirmada”, com voucher e localizador. No grupo, Stephanie ainda confirmou o 71748 com a frase: “Pedido confirmado!”.
Os próprios e-mails já trazem uma contradição importante. No e-mail de pagamento, a Just informa que o processo antifraude “poderá ser solicitado” e que, nesses casos, o pedido só será confirmado e emitido depois do recebimento dos documentos. No e-mail posterior, já intitulado “Reserva confirmada”, a cláusula restringe essa exigência a compras com utilização em menos de 30 dias — embora essas hospedagens fossem para abril de 2027 — e repete que a documentação deveria anteceder confirmação e emissão. Só que, na prática, a sequência já tinha sido exatamente a oposta: pagamento aprovado, reserva confirmada e voucher emitido.
Dois dias depois, o passageiro recebeu a exigência do antifraude. Minha primeira reação no grupo não foi pedir uma exceção. Eu perguntei quem poderia me explicar aqueles documentos e aquele fluxo. Quando me mandaram apenas os links, repeti que não era isso que eu havia perguntado e pedi com quem poderia discutir a pertinência jurídica do procedimento. Eu não esperava que o atendimento comum tivesse alçada para resolver isso; justamente por isso pedi alguém responsável pelo tema.
Larissa então apresentou uma alternativa: se o cliente não quisesse fornecer os dados, a agência poderia liberar o pedido por meio do Termo da Agência. Eu aceitei imediatamente e deixei claro mais de uma vez que seguiríamos por esse caminho. Ainda assim, parte da conversa continuou voltando ao fluxo do cliente, até que finalmente recebi o formulário para criação do termo.
Preenchi o formulário, o termo foi gerado e eu o assinei. Às 19:49, informei no grupo que o primeiro documento já estava assinado e expliquei que o segundo era uma cópia idêntica do primeiro, inclusive sem qualquer referência a número de pedido.
Lohan respondeu que o primeiro processo seria apenas uma ficha/formulário. Eu então perguntei literalmente: “Você acha que foi isso ou você confirmou que foi isso, Lohan?”. Mesmo diante dessa pergunta, ele reafirmou que se tratava de uma ficha de produção e que ainda faltava a assinatura do termo.
Eu enviei o documento assinado e a prova de que às 19:42 havia recebido o termo e às 19:43 o e-mail confirmando a assinatura por todos. Só então veio a explicação: por serem setores diferentes, eles não conseguiam identificar de imediato quando a assinatura havia sido concluída e iriam consultar o Antifraude.
Depois disso, o ponto central passou a ser outro: o Antifraude queria que eu entrasse em um novo link, fizesse video-selfie, anexasse documento e assinasse outro instrumento com o mesmo texto, a mesma data e sem qualquer referência específica aos pedidos. Eu repeti diversas vezes que o termo já estava assinado e pedi uma explicação objetiva para o efeito adicional daquela nova assinatura. As respostas continuavam voltando ao procedimento — “é necessário concluir”, “o link direciona à video-selfie” — sem responder por que um segundo documento idêntico seria necessário.
Eu também voltei a pedir alguém com alçada jurídica para discutir o assunto. Não houve essa interlocução. Ao final, Lohan informou que não seria possível “dar continuidade” sem a nova etapa e afirmou que a validação precisaria ocorrer “antes de seguirmos com a confirmação”. Foi aí que eu questionei: continuidade e confirmação de quê, se os dois pedidos já estavam pagos, confirmados e com vouchers emitidos?
Onde está o problema
Para mim, esse episódio concentra três problemas ao mesmo tempo.
O primeiro é o mesmo “achismo” que eu havia reclamado sete dias antes. Eu avisei que o documento já estava assinado, perguntei expressamente se a resposta estava confirmada ou era suposição e, mesmo assim, recebi outra afirmação categórica antes da verificação.
O segundo é a dificuldade de a conversa chegar ao ponto central. Eu pedi desde o início alguém que pudesse explicar o termo e o fluxo; depois escolhi expressamente a alternativa da agência; mais tarde expliquei repetidamente que o instrumento já estava assinado e que o novo era idêntico. Ainda assim, boa parte das respostas apenas repetia o procedimento padrão, sem enfrentar o que eu efetivamente estava perguntando.
O terceiro é a contradição do próprio processo. A documentação da Just descreve o antifraude como algo que antecede confirmação e emissão, mas a exigência chegou depois de a própria Just ter aprovado o pagamento, confirmado as reservas e emitido os vouchers.
Impacto para mim e para a agência
Eu passei horas tentando resolver uma exigência interna que surgiu depois de a transação já ter sido apresentada como concluída. Mais grave: esse episódio aconteceu apenas sete dias depois de eu ter registrado formalmente que respostas não validadas já haviam me exposto perante clientes e pedido exatamente que isso não voltasse a acontecer.
Por que este caso importa
Esse episódio ocorreu sete dias depois do meu pedido expresso para que as informações fossem validadas antes de chegar à agência. Por isso ele pesa tanto para mim: o problema já havia sido apontado e voltou a acontecer no mesmo cliente.